Professor Francisco Laranjo

Chocou-me a morte de professor Francisco Laranjo. Não éramos próximos. Como colega era afável e conciliador ao extremo.

Quando foi director das Belas Artes mudou o modo como a escola se relacionava com o seu design. Até aí, quando a instituição precisava de um poster ou de uma identidade gráfica contratava por concurso um atelier de design. Era um processo longo e caro, quase sempre acima dos meios da escola. O mais comum era recorrer-se ao trabalho gratuito dos alunos.

A equipa directiva de Francisco Laranjo contratou pela primeira vez uma designer a tempo inteiro como funcionária interna da escola. Era originalmente um cargo mal remunerado, pouco acima do salário mínimo. O próprio Laranjo se empenhou que fosse recompensado de modo digno. A primeira pessoa a ocupar esse cargo foi a ex-aluna Márcia Novais. O seu trabalho foi exemplar, tendo sido premiado inúmeras vezes ao mais alto nível.

Escrevi muitas vezes sobre esta transição para o designer como funcionário – um fenómeno rico e, na minha opinião, pouco abordado. Embora muitas vezes a «designer da escola» fosse tratada como uma mera executora, o seu melhor trabalho era autónomo, funcionando paredes meias com a edição e a curadoria. A direcção do Professor Laranjo possibilitou e apoiou essa autonomia. Não termino sem referir a professora Graciela Sousa, então vice-directora, uma figura central nos processos que referi.

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